terça-feira, 18 de novembro de 2014

Escolhendo o primeiro aerografo e compressor.



Você esta começando no hobby e está louco para partir para aerografia, mas os equipamentos são meio caros, existe muito opções e você está completamente perdido no que vai escolher. Então vou te ensinar o que procurar em m aerografo e compressor para te ajudar nessa decisão

Começando pelo compressor. Compressor costuma ser a parte mais cara do conjnto, pelo menos hoje é assim. Existe algumas marcas que fazem compressores específicos para aerografia, para usos internos, silenciosos e etc. O que você tem que procurar em um compressor são os seguintes aspectos:


Pressão e fluxo contínuo: O aerografo não demanda grandes pressões. Bons aerografos para modelismo trabalham entre 5 e 25 psi, por isso o compressor pode ser pequeno. Mas é fundamental e indispensável que o compressor tenha uma saída de ar de fluxo continuo. Ou seja, ele precisa ter algum dispositivo que represe o ar que sai pulsante do diafragma e libere de forma continua e gradual, de preferência com ajuste nessa pressão de saída, dispositivos como filtros, reservatório, câmaras de expansão e etc fazem esse serviço. Uso de mangueiras muito muito longas podem sanar esse problema (estou falando de mais de 20m de mangueira)

Barulho: Geralmente nosso hobby é algo caseiro, e um compressor muito grande e barulhento pode incomodar quem está a nossa volta e a nós mesmo, além de correr por aí pela sala.

Atento a esses detalhes, vou comentar sobre as opções de compressores mais acessiveis no Brasil hoje, para te ajudar a escolher qual é o compressor ideal para seu uso.

Compressor portátil Wimpel: como o próprio nome já diz, é um compressor portátil, para viagens, ou para quem não tem uma oficina fixa ou nem muito espaço para armazenamento. Ele é pequeno, de baixo ruido e muito prático, mas não é um compressor definitivo. Ele possui limitações em relação a pressão e fluxo, que pode ser essencial na hora de trabalhar com tintas de pigmentação mais espeça como tintas acrílicas a base de água. Recomendo como um “quebra-galho”, não como um compresssor definitivo, mais o seu baixo custo compensa sua compra ao invés de montar um compressor caseiro com inalador, por exemplo, e pode ser uma boa ferramenta enquanto você guarda seu dinheiro para comprar um compressor definitivo.







Compressores Sagyma com e sem reservatório: O compressor sagyma é uma ótima opção para a aerografia. Ele é compacto, seu barulho não é dos maiores, totalmente suportável (seus vizinhos, nem quem estiver na sala ao lado, irá reclamar do barulho), trabalha com uma gama boa de pressão, possui filtro e fluxo continuo. Não recomendo adquirir o modelo sem o reservatório. Não que ele seja ruim, mas o reservatório é algo importante para um compressor, tanto para a regulagem da pressão e do fluxo, quanto na vida útil e no funcionamento do compressor em si. Então, se você esta pensando em adquiri um sagyma sem reservatório, guarda um pouco mais do seu dinheiro e compre o modelo com reservatório, vale a pena. Eles são bastante duráveis, manutenção zero (só precisa ser drenado as vezes, mais nada), uma ótima opção para um compressor de aerografia definitivo.


Compressores de motor de geladeira: Não vou especificar uma marca desses compressores pois existem algumas, nenhuma muito grande, quase sempre caseiras ou microempresas, e todas fazem um compressor quase que igual um do outro. Exite até esquemas na internet para você fazer um desses você mesmo. São todos muito bons, absolutamente silenciosos e eficientes. Demandam um pouquinho de manutenção, mas nada que desanime. Esse é o modelo de compressor mais recomendável, e geralmente o mais caro também, mas vale o investimento. Ele é tão silencioso que você não sabe nem quando ele esta ligado ou não.






Visto as opções de compressores, agora é hora de escolhermos um aerógrafo Hoje em dia o mercado está inflado de aerógrafos a venda, principalmente os aerógrafos chineses. Bons ou não, eles tiveram e tem uma função importante para o hobby, que é a popularização do uso do aerógrafo. Até o inicio dos anos 2000, ter um aerógrafo era coisa muito cara. Contando minha experiência própria, meu primeiro aerógrafo eu comprei de um amigo meu, ele havia usado bem pouco o aerógrafo e me fez um preço super camarada, algo em torno de 500 reais. Hoje em dia há aerógrafos bons a venda por pouco mais de 100 reais, além do fato de que todos as marcas de aerógrafos tiveram que rever o preço de seus produtos para baixo, para poderem competir com os chineses.
Eu irei dar um resumo de alguns aerógrafos de algumas marcas, os prós e contras, mas antes disso, o que devemos procurar em um aerógrafo?

Agulha: o diâmetro da ponta do aerógrafo é o que determina sua delicadeza e precisão. Existem diversas agulhas, mas o que um modelista precisa de verdade é um bom aerógrafo de agulha 0,3mm. Tendo um bom aerógrafo 0,3 você não precisa ter outro equipamento, ele é o mais equilibrado em termos de traços finos e leques grandes de pintura. Os outros diâmetros de agulha serão apenas para trabalhos muito específicos. Um aerógrafo 0,25 ou inferior você consegue fazer traços muito finos, mas é um aerógrafo muito chato de se usar, pois eles entopem muito, e fora pequenos traços e efeitos, o aerógrafo de agulho fina é quase inútil para outras funções. Pintar uma carroceria, hull ou fuselagem com um aerógrafo desse vira uma tarefa de intermináveis horas, e o resultado será quase na certa uma pintura irregular. Já um aerógrafo de agulha 0,4mm ou superior já serve para superfícies maiores, como cascos de navio, ou modelos maiores. São mais úteis, mas não são aerógrafos delicados, péssimo para efeitos ou camuflagens. Outra dica: Não compre os modelos de aerógrafos que possuem vários tipos de agulhas e pontas. Essas partes do aerógrafo são muito delicadas, e o manuseio de ficar trocando bico e agulha acabam danificado o aerógrafo. Essas peças do aerógrafo devem ser removidas o mínimo possível, de preferência nunca, então fica a minha dica. Opte sempre pelo mais simples.

Aerógrafo de gravidade ou sucção: Para seu primeiro aerógrafo opte por um aerógrafo de gravidade. Mas o que é isso? Aerógrafo de gravidade são aqueles que o copo do aerógrafo fica voltado pra cima. Esse é o melhor sistema de alimentação para um aerógrafo, deixa o aerógrafo mais estável e delicado, obtêm aproveitamento total da tinta e evita acidentes. Os aerógrafos com alimentação por sucção são os de copinho pra baixo, a tinta entra no aerógrafo sugada por um canudo. Esse tipo de alimentação só é desejável em aerógrafos de agulhas maiores, já que a única vantagem desses aerógrafos é a quantidade de tinta que eles carregam

Aerógrafo de gravidade de copo central ou lateral: Nesse quesito, não exite melhor ou pior, é uma questão de gosto e postura, fica por conta do modelista escolher qual é o melhor para ele mesmo. Os aerógrafos de copo central são mais equilibrados na mão, e evitam mais acidentes como a queda do copo, mas podem incomodar modelistas com mãos maiores, ou modelistas que gostam de por o aerógrafo na frente do rosto, como se mirassem o aerógrafo, esse copinho fixo em cima atrapalha. O copinho lateral deixa o aerógrafo desequilibrado e é mais propenso a acidentes, mas pode ser mais confortável o uso, e deixa a visão da ponta do aerógrafo livre. Os prós e contras se equilibram, eu mesmo não faço distinção de um tipo para o outro. Fique atento na hora da compra se o aerógrafo que está escolhendo tem os copos fixo ou removíveis. Copos removíveis são mais práticos para limpeza, e sempre existe a possibilidade de haver vários modelos de copos para o mesmo aerógrafo. Para aerógrafos com copo lateral, os melhores são aqueles que possuem trava anti queda, mas infelizmente nem todos o possuem.

Trava de curso de agulha: é aquela rosca que o aerógrafo possui na parte de trás do corpo, na culatra dele. Essa rosca é muito importante, principalmente para quem está começando na aerografia. Trata-se de uma regulagem do aerógrafo da qual você limita a abertura da agulha, ou seja, você determina o traço que deseja fazer com o aerógrafo, ideal para camuflagens e pequenos traços. Dê preferencia para modelos com essa trava.

Aerógrafo de ação dupla ou simples: Nos aerógrafos de ação simples, o ar sai continuamente do aerógrafo, e você só controla a abertura da agulha da tinta. Em alguns casos é ao contrário, a abertura de tinta é previamente setada, o botão do aerógrafo controla somente a válvula de ar. Já um aerógrafo de ação dupla, o botão acionador do aerógrafo possui dois movimentos para que haja o controle simultâneo da abertura de ar e da agulha. Não recomendo muito os aerógrafos de ação simples pois geralmente eles são muito limitados, e sempre existe a possibilidade de transformar um aerógrafo de ação dupla em ação simples para determinado serviço.


Prestando atenção nos itens acima, vou agora dar um resumo das boas opções que são as mais comuns de esbarrarmos por ai numa loja de modelismo ou ferramentas:


Sagyma / Torre Brasil / western e outros: Acho importante começar por essas marcas importadoras de aerógrafos da china, responsáveis por inchar nosso mercado de aerógrafos. E vou juntar todas num comentário só pois a sensação que eu tenho que todas embalam os mesmo aerógrafo, pelo menos é o que eu senti quando usei e manuseei eles. Vou ser sincero e dar a  minha opinião sobre esses aerógrafos Eles não são as melhores opções de aerografia, exitem opções melhores, mas o custo beneficio deles é imbatível, e o aerógrafo é bom sim. Repito, os aerógrafos são bons, sinal verde para comprá-los!!! Eles seguem o layout clássico dos aerógrafos japoneses, acredito até que sejam copias de aerógrafos da marca Iwata. Seus preços são imbatíveis, eles possuem comandos leves e longos, a válvula não é muito delicada, mas os traços são muito bons. Quando eles são novinhos e bem cuidados, não devem nada para ninguém, mas devido a tolerância nas medidas na hora da fabricação, o aerógrafo acaba se deteriorando mais rápido que os outros. De todos os aerógrafos que tenho e já tive, foram os únicos que eu tive que aposentar por desgaste, e eles são tão baratinhos, que não vale a pena comprar um conjunto de agulhas e bicos novos. Outra coisa que me incomoda um pouco nesses aerógrafos são as vedações, feitas de material de baixa qualidade, acabam estragando aos primeiros contatos com thinner ou outros diluentes mais fortes. Gosto muito do modelo com copinho lateral, já que é um dos poucos que vem com trava anti queda. Evite os modelos multi agulhas e os de agulhas muito finas pelos motivos já citados.





Tamiya: a marca da excelência no modelismo não iria nos decepcionar na hora de nos fornecer um aerógrafo. É verdade que eles terceirizam a fabricação dos aerógrafos, mas mesmo assim a qualidade do produto é muito superior. Eles seguem o layout clássico dos aerógrafos japoneses (óbvio), geralmente possuem o corpo mais alongado, repousando super bem sobre a nossa mão, além de serem aerógrafos super calibrados e equilibrados. Sua agulha é super precisa, mas algo que incomoda é a válvula, que é muito justa, ela endurece com o tempo e é preciso sempre fazer uma manutenção e lubrificação dela. Outro detalhe importante é em relação a vedação do bico no aerógrafo. Apesar de ser feita de borracha de qualidade, a vedação não aguenta muito tempo o contato com diluentes muito forte. A vantagem é que esses aerógrafos são tão precisos que é possível remover essas vedações, a própria rosca acaba vedando ele de forma hermética.




Iwata: A marca antes japonesa, agora americana, possui uma serie muito extensa de modelos e finalidades de aerógrafos. É comum achá-los a venda na internet, já que eles são muito abundantes nos EUA, e com cada vez mais brasileiros indo para lá para compras, não é nada estranho que apareça esses aerógrafos por aqui. A marca agora é americana, mas ela ainda segue todo o layout e arquitetura dos aerógrafos japoneses. As válvulas são muito parecidas com as da tamiya, citadas anteriormente, mas não tão justas, deixando o botão ligeiramente mais leve principalmente no comando da válvula de ar.



Badger: A marca clássica de aerógrafos americanos, continua na ativa e com excelentes produtos. A arquitetura dos aerógrafos é bem distinta das demais em tudo, desde a media das mangueiras e conexões, até a forma dos botões, atuadores e pivôs internos. Modelos clássico como o 100 e o 150 são pequenos, compactos e precisos, com botões leves e extremamente delicados e sensíveis. Possui um corpo leve e curto em relação a outras marcas, e a geometria da agulha favorece uma abertura maior do leque. Mas isso não é para todos os modelos, a marca sustenta uma linha satisfatória de bons aerógrafos, de layout e arquitetura variados, incluindo um curioso (e ótimo) modelo de aerógrafo de alimentação mista (ele tem um copinho para gravidade, mas girando ele no próprio eixo central do aerógrafo para baixo, é possível engatar um copinho de sucção), possui uma agulha de geometria que consegue desde traços fininhos, até aberturas maiores para grandes trabalhos.






Paasche: Uma outra boa marca americana, foca em aerógrafos maiores, para trabalhos grandes, artesanatos, reparos automotivos e etc... O aerógrafo possui comandos longos e leves, mas não é um aerógrafo muito preciso devido a agulha grande. Isso falando dos modelos mais tradicionais da marca, que já alguns anos vem desenvolvendo uma linha especifica para modelistas com características muito semelhantes ao aerógrafos japoneses.





Aztek Testors: Essa outra marca americana desenvolveu um aerógrafo no intuito de resolver todos os problemas e falhas que os aerógrafos possuem. Ele é totalmente plastico, tornando-o extremamente leve. Seus comandos são levíssimo, sua pegada e confortável e diferenciada. A mangueira de ar entra pela culatra do aerógrafo, passando por traz da mão. O sistema de agulha e bico é o único sistema intercambiável confiável, sem risco de dano ao equipamento, e cada função/finalidade de agulha é identificada por uma cor diferente. É um dos únicos aerógrafos ambidestro que conheço, ou seja, o copinho pode entrar pelas duas laterais do corpo do aerógrafo, além de ele possuir uma gama de copinhos de gravidade e sucção. Ele ainda tem um sistema inteligente de regulagem para ação simples na parte traseira do aerógrafo Resumindo, muitos aparelhos em um só. Mas nessa toada de resolver todos os problemas dos outros aerógrafos, ele acabou gerando seus próprios problemas. Não é um aerógrafo dos mais fáceis de lidar e usar. Seus sistema de agulhas entope muito, e é de difícil limpeza. Qualquer manutenção que seja necessário nele é mito difícil de ser feita (o fabricante nem recomenda que seja aberto o corpo do aerógrafo). Eu gosto muito desse aerógrafo, mas não recomendo para iniciantes.



Gatti: Para quem sempre duvida e denigre os produtos nacionais, os aerógrafos da Gatti deixam esses caídos de cara no chão, chorando copiosamente. A marca fabrica um dos melhores aerógrafos do mundo, de qualidade superior, precisão e robustez, coisa fina de verdade. O aerógrafo possui uma arquitetura semelhante aos aerógrafos japoneses, mas com peculiaridades e medidas próprias. O aerógrafo de corpo curto, leve, copo lateral, sua agulha é bastante precisa, com traços bem finos, mas que também abre um leque muito bom para trabalhos maiores. O aerógrafo tem uma arquitetura interna muito robusta, com peças grandes e fortes, é um aerógrafo que dificilmente entope, e mesmo assim consegue manter um traço delicado. O que incomoda um pouco é seu tamanho reduzido, a coroa do bico não ser inteiriça como em modelos japoneses, e o duto de ar que passa em L na parte de baixo do aerógrafo, pode interferir um pouco na pegada. As medidas exclusivas para engates e roscas incomodam um pouco também.




Agora você já sabe o que procurar num compressor e num aerógrafo, com um comentário sobre as principais marcas disponíveis hoje. Agora é só começar a pintar.      

4 comentários:

Átila Serdera disse...

Estou pensando em comprar um aerografo, e realmente estava perdido. Ajudou bastante.

JL Garcia disse...

Ótimo guia para iniciantes como eu. Estou gastando um bom tempo para entender antes de investir, mas há coisas que só descobrimos após a compra ou por intermédio de quem já tem experiência. Obrigado por compartilhar seu conhecimento.

Anônimo disse...

E o nacional Lince? Eu tenho um AL3 em uso há mais de 10 anos. São resistentes e muito fáceis de limpar.

Gilmar Rocha de Magalhães disse...

Qual seria a agulha ideal para pintura de iscas artificiais