sábado, 12 de janeiro de 2019

Pintura Candy, o desafio máximo de pintura em carros.


Vamos reproduzir o icônico azul do Chevrolet corvette dos anos 90 no modelo da Revell.

Montagem, texto e fotos: Bruno “chiquito” Cascapera


              Ao longo dos anos, o modelismo profissional vem me cobrado uma versatilidade tremenda. Um dia estou fazendo um avião da segunda guerra para minha coleção, em outro estou fazendo um diorama 1/72 para um aluno, no outro polindo uma carroceria de carro para uma encomenda. Todos os modelistas tem suas preferencias, e comigo não é diferente. Mas quando entrei nessa para montar e ensinar os outros, sabia que seria tirado da minha zona de conforto constantemente.
              Chamo de virar a chave. Um dia você se divertindo estragando deliberadamente um modelo para parecer velho, e no outro você está se estressando porque a pintura não está alcançando o brilho que você queria. Numa semana repleta de aulas e compromissos, preciso virar a chave uma dúzia de vezes para atender cada um dos meus clientes.
              É confesso que quando viro a chave para o modo “pintura de carros”, apesar de gostar bastante do tema, sou arrancado completamente da minha zona de conforto. Sou levado a navegar por mares poucos navegados em minha carreira.
              Dessa vez o desafio foi acertar uma pintura candy. O kit é um corvette conversível 96, da revell. Um molde contemporâneo ao carro, mas que apesar dos seus vinte anos de idade, ainda se mantem jovem e atualizado, um kit já feito na era moderna dos "cads" e dos moldes cnc, então o kit funciona direitinho. Mas é um modelo bastante manjado, conhecido entre os montadores de carro, e que decorre de uma montagem sem percalços. Então irei me reter a falar pouco do modelo em si. Mas apenas para o querido leitor não ficar sem um feedback: Se você está pensando em montar um, vá em frente e divirta-se, o kit irá te ajudar!
              Irei usar esse meus espaço mais para ensinar a técnica da pintura Candy. Mas afinal, o que é isso?
              A pintura Candy é basicamente uma pintura bastante brilhante e lisa, compostas de dois elementos de cores distintos e complementares um ao outro ao efeito. Ele tem esse nome em referencia aos doces caramelados, dos quais a cobertura de açúcar semitransparente acaba formando uma película dura e cristalina sobre a superfície aplicada. Não entendeu? Lembre-se então da maçã do amor.
              A técnica consiste em copiar esse efeito. Aplica-se uma base de ancoragem sobre o modelo, geralmente uma cor metálica, e na sequencia altera-se a cor num efeito de filtro saturado, usando vernizes vitrais coloridos, ou no caso como mostraremos, clear da tamiya.
              Eu considero um dos desafios supremos da pintura em carros pois a técnica contem diversas dificuldades a serem observadas.
              O primeiro desafio é o acerto da tonalidade. O resultado não depende de uma cor apenas, e sim de duas, três se contarmos com o primer. A escolha da cor primaria de ancoragem influencia 50 % do resultado, tornando o resultado mais claro ou escuro, menos ou mais metalizado, e capaz ainda de mudar o tonalidade e calor do verniz vitral a ser aplicado na sequência.
              Já a escolha do verniz vitral colorido, ou clear, impacta diretamente em questões como brilho, profundidade, reflexo e tonalidade final do efeito. Não existe uma combinação errada dos elementos, existe apenas a necessidade de ambos estarem bem aplicados para o efeito aparecer. Mas se você busca uma tonalidade precisa de cor, faça testes antes entre diferentes elementos de base e cobertura antes de aplicar no modelo.
              A outra dificuldade da técnica está em acertar o ponto, brilho e acabamento de diferentes tintas e composições, com resistências mecânicas diferentes e tempos de secagem distintos.
              Apesar desse ser um modelo de montagem comissionada, eu aproveitei a oportunidade para aprimorar e trabalhar essa técnica da qual eu possuía pouca experiência. Pintei o modelo mais de uma vez até achar o equilíbrio exato entre brilho e tonalidade, e irei compartilhar a experiência aqui com vocês. Então vamos ao tutorial:

1- Preparação das peças: Já deve ser de praxe de suas pinturas a preparação prévia das peças antes da pintura. Lave bem as peças pois iremos usar elementos com diferentes níveis de “garra” no modelo, não quero ser atrapalhados por óleo do desmoldante, gordura das mãos ou por pó de plástico oriundo da funilaria.


2- Aplique um primer ou uma tinta acrílica de boa aderência no plástico. Eu não utilizei primer na minha pintura, e sim uma tinta acrílica automotiva preta Pr-colors. As tintas acrílicas automotivas, ao contrário das tintas duco, aderem por si só no plástico, sem a obrigatoriedade do primer, podendo até mesmo substituir o primer. Eu escolhi o preto brilhante pois uma base preta sobre o kit torna a pintura metálica mais fácil e vistosa, e pelo fato dela ser brilhante, seu brilho natural não irá interferir no acabamento final das outras cores.














3- Como camada de cor base para o efeito candy, utilizei a cor “Metalic Blue” da Pr-colors diluída com Thinner Lucksnova 237 . A cor por si só já é linda, uma cor metálica lisa que tem um “puxado” pro azul que já vai ajudar a chegar na tonalidade final necessária. Mas como foi dito anteriormente, essa cor foi testada antes, para ver se chegávamos no efeito desejado. Recomendo que faça o mesmo.












4- Certifique-se do acabamento da camada metálica sobre o modelo. Como ela receberá uma camada generosa de verniz por cima, ela não precisa estar muito brilhante nem polida, mas é necessário que a camada esteja lisa, sem ruídos na pintura (casca de laranja), sem grãos aparentes, e aplicada de forma uniforme sobre o kit. Esses cuidados são essenciais, pois a camada vindoura de verniz não irá tampar nada da camada metálica. Tudo de errado que você possa ver de aparente nesse estágio da pintura, estará no estágio final. Então fique a vontade de lixar, polir ou reaplicar novas camadas de cor metálica nesse estágio. Mas não use cera ou massa nesse estagio, elas podem comprometer a aderência do verniz. Se o polimento for necessário, use lixas finas e água. Outra dica: utilize tintas metálicas resistentes, como acrílicas ou poliéster. Evite as esmaltes do tipo metalizer ou alclad.






5- Inicie o processo de várias camadas de verniz vitral da sua escolha. Eu usei clear blue Tamiya diluído com Thinner 237. Independente de qual verniz você escolha, aplique-o de forma muito bem diluída e em camadas finas e uniformes, até que se alcance a tonalidade desejada. A secagem desses tipos de vernizes pode gerar algum estresse. Minha dica para que você não precise esperar horas entre uma camada e outra secar é a seguinte: Force a cristalização do verniz utilizando secador de cabelo. Cuidado com a potencia do secador. Muito calor pode deformar a camada de tinta ou até mesmo o plástico do modelo.





























6- Encerre o acabamento polindo com pouca massa ou, caso o resultado já tenha apresentado brilho, somente com uma boa cera automotiva, dessas de fácil aplicação. Eu recomendo a cera de carnaúba com silicone, achada facilmente em supermercados, ou a cera da tamiya.

Vá com calma nessa técnica. Faça tudo sempre com calma e bastante limpeza. Teste suas cores antes e se possível, treine em cobaias. Seguindo direitinho as dicas que acabei de passar, você irá conseguir replicar nos seus modelos.
              Até a próxima aventura modelistica!


























quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Teste comparativo: bf 109s na escala 1/48


Testamos 5 modelos de um clássico da aviação para sabermos quem está produzindo os melhores modelos da atualidade.


Lançar um modelo novo é muito complicado. Envolve projeto de engenharia, design, produção, trabalhos gráficos de caixa e decal, marketing, distribuição e varejo. Uma operação muito complicada, e não muito rentável como outras manufaturas. Por essas que as empresas de kit gostam de arriscar o mínimo possível, eles sempre recorrem aos kits que geram maior fluxo de vendas, ou seja, “mais dos mesmos”, como foi comentado em outra coluna quando se falava do Leopard A2. Mais do que o Leopard, o Bf-109 é aquele avião queridinho, presente em todos os catálogos das marcas mundo a fora, o “pãozinho quente” de qualquer empresa de plastimodelismo. Com isso, fica evidente que alguns modelos de aviões, tanque, carros e etc não possuem suas versões em escala, deixando lacunas nas nossas coleções.
               Mas vamos tirar vantagem dessa situação. Vamos aproveitar essa política das empresas para testar modelos semelhantes e descobrir assim, peculiaridades entre grandes marcas do ramo, que tipo de qualidade eles estão tentando imprimir em seus produtos.
              Para essa matéria, serão comparados 5 dos modelos de Bf-109 de marcas que estão em destaque no momento, modelos que são facilmente achados em lojas ou mesmo na coleção dos modelistas. 4 modelos tiveram sua construção iniciada exclusivamente para essa matéria, são eles o Bf- 109 E da Hasegawa, bf 109 F2 da icm, Bf-109 F4 da Zvezda e o BF-109 E4 da airfix. Um quinto modelo entra paralelamente na matéria, o Bf-109 E3 da Eduard, que foi montado por um aluno do Blog do Chiquito, com a supervisão desse que escreve, e mesmo fora do comparativo direto, vale a pena cita-lo na matéria.
              São 5 modelos para todos os bolsos. Kits clássicos, mas que ainda circulam, e também kit novinhos, moldados nos últimos anos.

              As primeiras impressões:

              Começando pelo kit da Hasegawa, um clássico obrigatório na coleção dos modelistas. O molde foi construído primeiramente em 1980, e veio para reinar, destronando modelos antigos como Revell, Monogran e Fujimi. Porem, em 1989, menos de uma década depois, o modelo já estava defasado em alguns critérios para modelos como o da Tamiya, e por isso a marca resolveu modernizar e reformar seu molde, deixando-o baixo relevo, acrescentando detalhes e sem perder as ótimas características de encaixe e geometria. Sobrevive em linha até então. Tem seus errinhos, suas omissões, mas suas qualidades e seu preço baixo sempre o mantiveram ativo e competitivo no mercado. Para ajudar, a Hasegawa sempre reciclou seu modelo com novas caixas, sempre ilustradas pelo mestre Shigeo Koike, novas versões, novos decais, versões especiais com resina e photo-eched e outros mimos.
              Top de linha em outras épocas, hoje ele é um modelo simples, poucas peças, sem detalhes de motor, apenas o essencial, impressos em um plástico rígido de forma delicada, com scribes finos e peças de escultura simples. As decais são excelentes, se não estiverem muito velhas, importante frisar isso porque esses kits “rodam” por aí já a bastante tempo.
              O modelo da Icm foi uma mistura de sentimentos. Uma caixa pequena com as peças apertadas abrigava um kit de forma bastante sufocada. Uma arte de gosto duvidoso sela isso tudo, incluindo um manual impresso de forma muito ruim e compacta, com informações atropeladas e de visualização ruim, e um decal de qualidade razoável. O molde não é antigo, data de 2006, uma época em que a ICM começava sua mudança de uma marca recém lançada com modelos “Short Run” para uma marca de modelos com qualidade de montagem e arquitetura. Ou seja, o bf 109 deles está a meio caminho entre aqueles primeiros modelos “detestáveis” da marca nos idos de 2002 e a meio caminho dos grandes modelos de aviões que eles lançam hoje.
              É visível que o projeto do avião foi levado de forma séria pelo projetista. A arquitetura do modelo (pelo menos na caixa) reflete um trabalho de tentativa bastante qualificada em termos de quantidade de peças e as formas como elas interagem. Mas isso será levado a prova mais a frente, quando dermos inicio as montagens. O que cabe julgar agora é a execução de tudo isso na fabricação do modelo. Enquanto o projeto do kit parece ser bom, a sua execução pela fabrica foi deplorável. Não só pelos itens de gráfica já relacionados aqui. Mas a qualidade do kit deixa a muito a desejar. Um plástico extremamente mole revela ao proprietário um mar de rebarbar e marcas de injeção, lembrando muito um modelo injetado num molde muito usado ou então num molde “short run”. Não bastece essa má impressão, as peças não vêm numeradas na arvore. O kit dá uma péssima impressão antes do início. Tudo isso justifica seu baixo custo, mas não sei se é justificável fazer isso...
              Já a Zvezda vem com uma proposta diferente. Nada de cultura de “baixo custo”, nada de “short run”, a marca vem para fazer peso na concorrência. O moderníssimo molde de 2010 chega a ser exagerado em detalhes e peças. O molde foi projetado para fazer verções F e G do bf-109, isso explica a profusão de peças a mais que sobram no modelo (isso parece legal de início, mas encarece o modelo de forma desnecessária, e na essa ânsia de fazer um modelo “versátil”, geralmente erros de geometria são cometidos). A delicadeza das peças juntamente com a riqueza de detalhes chamam bastante atenção, e o modelo vem embalado confortavelmente em uma caixa rígida, com uma ilustração não muito legal, uma folha de decal simples e funcional e uma manual extenso porem muito confuso, com informações decentralizadas e fora de ordem, sem considerar que o manual tem o russo como sua língua principal, e nessa desordem, informações importantes de pintura ficam de fora.
              O modelo da Eduard nasceu em 2012, já com essa difícil tarefa de enfrentar o modelo “up to date” da Zevda. Numa “hype” poucas vezes vistas antes num lançamento de kit, a Eduard entrava nesse ano no mercado dos 1/48 de forma definitiva após relativo sucesso reembalando modelos de outras marcas e vendendo os seus próprios, como o sucesso de venda Bf-109 E na escala 1/32. Quando se eleva a “hype” como a Eduard elevou, a expectativa de um modelo sem precedente sobe também, e a chance de decepcionar os clientes também sobe. Foi o que aconteceu com alguns modelos da marca nessa época, como os bf-109 Gs e os FW-190 As, ambos precisando de reformas no projeto, no caso do 109g o modelo foi todo refeito e relançado recentemente. Mas não foi o caso dos Bf-109 Es, esses agradaram na qualidade e na arquitetura, por mais que não fossem os modelos definitivos de bf-109 que os modelistas esperaram que fossem.
              O kit 1/48 do 109 E tem uma influencia muito forte do modelo anterior na escala 1/32, sendo quase um modelo “pantografado” para escala. Pela lógica, se o 1/32 saiu bom, o 1/48 seguiria o mesmo caminho. A arquitetura do kit é bastante avançada. O kit é daqueles que encantam ao abrir da caixa. Centenas de boas e delicadas peças, feitas em um plástico de boa qualidade de forma quase impecável, sempre acompanhado de um excelente manual, de informações dispostas de forma calma sobre as várias paginas do livreto, e mais a carta de pintura sempre colorida e explicativa, com cores referencias e pequenas historias sobre os modelos a serem montados. Em termos de kit na arvore, Eduard e Zvezda empatam. Mas ao levar em contas as caixas e os mimos que a eduard oferece junto, assim como as diversas versões e opções de compra dos modelos como weekend, profpack e royal class, a eduard sai na frente no quesito “colecionável”, mostrando um pouco mais de carinho pelo cliente que as outras marcas.
              Por ultimo e não menos importante vem o Bf-109 E da (nova) Airfix. Um modelo de 2010, todo novo, trazendo consigo todo o frescor da nova e repaginada airfix do século xxi. No kit está impresso todo a nova mentalidade da marca, um kit barato (apesar de nós Brasileiros não sentirmos isso), recheado de qualidades e virtudes de uma boa montagem, tentando agradar modelistas experientes mas sem perder de vista o público infanto-juvenil característico da marca nos últimos 60 anos. O kit possui bons aspectos como uma quantidade considerável de detalhes impressos nas peças, e um bom numero de partes, sem muito exagero. Mas por outro lado, para que o kit “funcionasse”, é aparente uma falta de delicadeza da injeção,com scribes muito grossos, detalhes em tamanhos excessivos, erros geométricos aparentes e outras faltas de delicadeza que incomodam já na árvore. Mas é um modelo com um novo DNA de montagem, então espera-se dele um desempenho satisfatório na montagem. Tudo isso embalado numa caixa bastante chamativa dotada de uma ilustração bacana, um manual simples e calmo a moda antiga, e uma boa carta de pintura colorida muito elucidativa.
              No quesito “Box Modelismo”, Eduard toma a frente em qualidade de colecionismo, tornando suas caixas um prato cheio para serem admiradas dentro e fora, seguido pela Zvezda que apesar de não fazer um marketing tão bom como a Eduard, o kit em si na arvore é uma lição de engenharia bem feita, mas meus favoritos ainda são os Hasegawa e suas ilustrações maravilhosas, que na minha opinião valem tanto quanto o kit, e em termos monetários, cabem melhor nos nossos bolsos também.

Montagem: Onde o bicho pega.

Analisar o item colecionável na caixa é uma coisa. Botar o kit para funcionar já é uma pegada diferente. Nem sempre o que o kit nos mostra na caixa condiz na hora da montagem. Então vamos analisar a experiência de montagem de cada um deles.

           




   O kit da Hasegawa é o grande exemplo de “menos é mais”, ou de que “quem foi Rei nunca perde a majestade”. Nenhum modelo permanece 30 anos no mercado de forma competitiva à toa. O modelo da Hasegawa é o grande exemplo de eficiência. O modelo enxuto, nada de itens desnecessários, detalhes de motor ou interior de asas. Alguns errinhos são evidentes, como o formato das caixas de trem de pouso, o posicionamento de algumas linhas, a caixa da bequilha não é vazada, e também é evidente que alguns detalhes são omitidos. Mas isso não tira a nobreza da montagem desse modelo. Poucas peças, mas tudo funcionando conforme o prometido. Não existe grandes trabalhos de funilaria com ele, e o interior é simples, mas tem tudo que precisava ter para funcionar bem e funciona realmente bem. Comparado a seus rivais, ele está defasado em detalhes, mas ainda proporciona uma experiência de montagem bastante agradável e pratica. Não pode ser descartado como opção de montagem de forma alguma, principalmente se você deseja fazer algo “out of box” mais simples ou se o seu foco é mesmo a pintura, e não tanto a montagem. Ele apresenta sinais do tempo, praticas de engenharia que não se usa mais como bequillha injetada junto da fuselagem, mas o modelo ainda tem uma gordura para queimar e se manter ativo no mercado.
              








Já a montagem do ICM se apresenta um tanto traumática. Problemas crônicos que a marca apresenta na caixa do modelo refletem na construção do mesmo, essa já bem dificultada pela falta de numeração das peças na arvore e pelo horrível manual. As peças não possuem encaixes na maioria das vezes. Quase todas as peças exigem retrabalho e ajustes de encaixe e posicionamento, o que atrasa muito a montagem do modelo. Pelo cronograma sugerido pelo manual, você inicia a montagem do modelo pelo motor e canhões frontais. Uma luta cheia de rebarbas e peças que teimam se encaixar de forma totalmente desalinhadas. É até espantoso de ver como o resultado final da montagem do motor fica “satisfatório” mesmo depois de tanto sofrimento. Fazer a frente motorizada do modelo funcionar junto com os detalhes de cockpit e a fuselagem tornam a montagem muito difícil e arrastada, e a falta de precisão dos poucos encaixes existentes fazem com que o hercúleo trabalho de fechamento da fuselagem venha acompanhado de um chato e arrastado trabalho de acerto de funilaria. Tudo isso sempre atrapalhado por um plástico mole de péssima qualidade, sensível a qualquer tipo de cola ou solvente, vindo de fabrica com uma chata aspereza que só dificulta as coisas. Além de tudo o modelo apresenta problemas crônicos de empenamentos e encaixes tortos, que levam a experiência de alinhar o modelo a um nível muito chato, e um problema incorrigível de tamanho das transparências em relação a fuselagem. Ao final, o modelo toma uma forma satisfatória em geometria e detalhes, mas cobra de nossa paciência um preço muito alto, sendo uma experiência de montagem ruim e demandando um modelista experiente e safo para contornar as más qualidades do projeto.
            




  O modelo da Zvezda mostra com quem você está lidando desde as primeiras peças encaixadas. A marca russa aprendeu direitinho analisando seus adversários e trouxe para esse modelo uma experiência de montagem bastante difícil tecnicamente, mas funcional. Ou seja, um excelente kit para o modelista que já tem bastante bagagem. O mar de peças do modelo possui em sua totalidade forma e função quase impecáveis. Tudo tem seu encaixe certo, seu lugarzinho correto, nada está largado no kit. É logico que um kit com tantas peças faz da experiência de montar um Bf-109, um avião simples e pequeno, algo longo e demorado. Mas mesmo demorado, há muito pouco estresse. Mas o modelo não é perfeito. Ele possui algumas falhas conceituais nos seus detalhes, além de algumas falhas de montagem, como placas de asas que ficam tortas, motor de encaixe e alinhamento complicados, um capo que não fecha sobre os canhões, a secção traseira da fuselagem que compõe a calda do avião fica maior que o resto da fuselagem, e por último um encaixe errático da raiz da asa com a parte ventral da fuselagem, causando um degrau. Esses erros no kit, assim como excesso de peças do kit, vieram do intuito de criar um molde versátil para vários modelos de 109. Não haveria placas tortas na asa se não tivessem que fazer uma asa para o bf-109 F modificável para fazer o bf-109 G. A secção traseira mesma coisa. Se não tivesse que preparar a fuselagem para duas derivas diferentes, a fuselagem não teria desnível.
              Mas o Zvezda possui mais virtudes que falhas. Ao seu jeito o kit funciona de forma fluida, merece a fama de “ótimo kit” que recebeu nos últimos anos, além de ser uma ótima plataforma para projetos que vão muito além do out of box.
           


   









A Eduard seguiu de perto a Zvezda e seu modelo é tão bom e complexo quanto. Os kits da Eduard no geral são sempre voltados para modelistas experientes, e com o bf-109E3 deles não é diferente. Com uma complexidade elevada associada a uma quantidade enorme de peças e com enorme riqueza de detalhes, a dinâmica do modelo se torna lenta, arrastada, até mesmo desmotivante em alguns momentos. E apesar de ser tratar de um modelo perfeitamente modelado e injetado, não espere encaixes certinhos e uma arquitetura colaborativa com o modelista. A todo momento encontramos peças sem encaixes e montagem muito pouco intuitiva. Mas ao final de uma montagem muito pouco estimulante, o resultado final faz valer o esforço. Mas fica evidente montando esse modelo que ele foi feito para casar com todos os “afters” produzidos pela Eduard, ou seja, ser montado na versão PROFIPACK. Pratica comum essa da Eduard, uma marca de “Afters” que produz kit justamente para explorar melhor esse mercado de melhorias extras dos modelos. Não irei julgar se isso é correto, mas vale ressaltar.
         





     A Airfix imprimiu em seu modelo uma toada diferente dos rivais. Se na caixa o modelo parece ser um tanto fora de escala, quando iniciamos a montagem encontramos um modelo bem espartano em detalhes, como os Hasegawas, porem bastante funcional e simpático, e principalmente, um kit divertido de se montar. O foco da marca em alcançar camadas menos experientes de modelistas fez do kit uma brincadeira agradável, de encaixes fáceis e montagem intuitiva. Para alcançar esse patamar, o modelo abre mão da sua margem de segurança no quesito precisão, ou seja, as peças se encaixam bem, mas espere um modelo com bastante fretas e bastante trabalho de funilaria. Erros conceituais são cometidos no modelo que nunca prometeu perfeição, como no caso de marcas do extrator do molde em lugares bastante visíveis, um motor injetado em duas partes junto com a fuselagem, do qual eu recomendo que ignore sublimemente devido a total falta de similaridade com o original além de uma pobreza enorme de detalhes, além de scribes grossos demais, que quase suplantam a necessidade de efeitos de washed depois. Mas é notável desde o início que a experiência de montagem vem antes da exatidão geométrica para a nova Airfix, e por ser tão agradável, acaba se tornando um bom modelo em escala.

Os vereditos finais:

BF-109 E4 Hasegawa: Apesar de sentir o peso do tempo e a modernidade dos concorrentes, sua simplicidade, geometria impecável e montagem sem percalços tornam o modelo ainda uma opção a ser considerável, fácil de achar a bons preços em mãos de particular, ou novos em lojas no estrangeiro, o modelo é ideal para quem foca mais em pinturas e não tanto em montagem. Por eu ser um desses, ele ainda é meu favorito.








BF-109 F2 ICM: Seus problemas superam suas virtudes, e torna-lo algo vistoso e agradável é uma tarefa muito difícil. Seria um kit viável se não houvesse outros BF-109 disponíveis no mercado. Mas em virtude de haver tantos e alguns excelentes, esse modelo torna-se um desproposito, justificável apenas pelo seu baixíssimo preço de venda no varejo nacional e internacional. É o único do teste que eu optaria em não ter que fazer novamente.

Bf-109 F4 Zvezda: Modelo muito bom, quase excelente. A marca russa teve um carinho com a arquitetura e com os encaixes das peças. No quesito encaixe, ele só perde para o Airfix. É também o modelo mais bem detalhado do teste. Errinhos na arquitetura fazem com que ele não ganhe o teste, mas me convenceu. Excelente opção de compra para modelistas de longa data.





BF-109 E3 Eduard: É o melhor conjunto da obra do teste, mas vence o Zvezda por bem pouco. O kit comete menos erros de arquitetura que o zvezda, e isso gera menos trabalho de acerto depois, mas o modelo tem uma montagem menos fluída que o rival russo, uma preocupação menor com os encaixes, e o modelo só é pleno quando se trata das versões mais completas como profpack e royal class. Como kit, Eduard e Zvezda se equivalem e ambas tentaram sem sucesso alcançar a perfeição. A vitória da Eduard fica mais por conta dos periféricos ao kit como manuais e decais. Mas importante frisar: Uma excelente opção de compra também, para modelistas experientes.




Bf-109 E4 Airfix: O pior do teste no quesito “delicadeza”, mas o primeiro em simpatia e diversão. Sua montagem é extremamente fluída, o modelo acaba te cativando, quase como um brinquedo, mas sem perder o viés de modelo de precisão. Reparos e funilaria necessários depois são pouco relevantes diante da facilidade da montagem, sendo esse modelo a escolha certa para modelistas novatos. E é necessário dizer: Após estar montado, o kit funciona muito bem aos olhos, principalmente no interior do cockpit e caixas de trem de pouso. Boa compra para iniciantes, principalmente se for encontrado em preço competitivo.